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"NO CAMINHO COM MAIKÓVSKI" |
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| “Assim como a criança humildemente afaga a imagem do herói, | ||
| assim me aproximo de ti, Maiakóvski. | ||
| Não importa o que me possa acontecer | ||
| por andar ombro a ombro com um poeta soviético. | ||
| Lendo teus versos, aprendi a ter coragem. | ||
| Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história. | ||
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Na primeira
noite, |
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| E
não dizemos nada. |
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Na Segunda noite, |
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pisam as flores, |
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| Até que um dia |
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o mais frágil deles |
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| rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, | ||
| arranca-nos a voz da garganta. | ||
| E já não podemos dizer nada. | ||
| Nos dias que correm a ninguém é dado repousar a cabeça alheia ao terror. | ||
| Os humildes baixam a cerviz; | ||
| e nós, que não temos pacto algum com os senhores do mundo, | ||
| por temor nos calamos. | ||
| No silêncio de meu quarto | ||
| a ousadia me afogueia as faces | ||
| e eu fantasio um levante; | ||
| mas amanhã, diante do juiz, | ||
| talvez meus lábios calem a verdade | ||
| como um foco de germes capaz de me destruir. | ||
| Vamos ao campo e não os vemos ao nosso lado, no plantio. | ||
| Mas ao tempo da colheita lá estão | ||
| e acabam por roubar até o último grão de trigo. | ||
| Dizem-nos que de nós emana o poder | ||
| mas sempre o temos contra nós. | ||
| Dizem-nos que é preciso defender nossos lares | ||
| mas se nos rebelamos contra a opressão | ||
| é sobre nós que marcham os soldados. | ||
| E por temor eu me calo, | ||
| por temor aceito a condição de falso democrata | ||
| e rotulo meus gestos com a palavra liberdade, | ||
| procurando, num só sorriso, | ||
| esconder minha dor diante de meus superiores. | ||
| Mas dentro de mim, | ||
| com a potência de um milhão de vozes, | ||
| o coração grita - MENTIRA!" | ||
| A autoria do poema "No Caminho com Maiakóvski" pertence ao poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa, nascido em Niterói-RJ, no dia 06 de março de 1936, que na década de 60 escreveu os versos tão propagados no mundo como sendo do russo Vladimir Maiakóvski (1893-1930), quando em verdade resultam de criação tupiniquim. | ||
| (Fonte: Informativo "Nada a Opor", n° 07, junho de 2004. e-mail:nadaaopor@ig.com.br) | ||