Material didático
TEORIA DA CONSTITUIÇÃO
1.º Ponto: FUNDAMENTOS E CONTEÚDO
DA TEORIA DA CONSTITUIÇÃO
A
Teoria da Constituição, segundo José Joaquim Gomes Canotilho, na sua
obra Direito Constitucional e Teoria da
Constituição, Lisboa, Livraria Almedina, 1999, 3.ª edição: “é uma
ciência que estuda a teoria política e científica da Constituição”.
É
Política porque pretende compreender
a ordenação constitucional através da análise, discussão e crítica da força
normativa, possibilidades e limites do Direito Constitucional.
É
científica porque procura descrever,
explicar e refutar os fundamentos, idéias, postulados, construção, estruturas e
métodos do Direito Constitucional.
O
mestre português que em 1999, conseguiu outorgar ao Professor Pinto Ferreira o título
de Doutor Honoris Causa em Portugal, prossegue descrevendo a nossa
matéria, na obra citada às folhas 1246 e 1247:
“A
teoria da constituição é, mais do que uma teoria
política é uma teoria científica do
direito constitucional. Aspira ainda a ser um estatuto teórico da teoria
crítica e normativa da constituição.
Isto num triplo sentido:(1) como instância crítica das soluções constituintes consagradas
nas leis fundamentais e das propostas avançadas para a criação e revisão de uma
constituição nos momentos constitucionais; (2) como fonte de descoberta das decisões, princípios, regras e
alternativas, acolhidas pelos vários modelos
constitucionais; (3) como filtro de racionalização das
pré-compreensões do intérprete das normas constitucionais
procurando evitar que os seus prejuízos e pré-conceitos jurídicos, filosóficos,
ideológicos, religiosos e éticos afectem a racionalidade e razoabilidade
indispensáveis à observação da rede de complexidade do estado de direito democrático-constitucional.”
Comungam
deste pensamento autores alemães: Görg
Haverkate, Verfassungslehre. Verfassung als Gegenseitigkeitsordnung, Verlag C.H. Beck, München, 1992, pp. 1 e ss; MORLOCK, Was heist und zu welchem Ende studiert man
Verfassungstheorie? Berlin,
1988, p.93.
A
filosofia
do constitucionalismo desenvolvida
por Jonh Locke, Jean Jacques Rousseau,
Montesquieu e Tocqueville, havia estudado as formas jurídicas do político, procurando articular um conjunto de
conhecimentos temáticos, experiências práticas e idéias normativas sobre o modo
de se ordenar
jurídico-constitucionalmente o Estado.