Material didático
12o ponto: Estrutura Burocrática do Estado
A complexidade do Estado Moderno
trouxe a necessidade de especialização das respectivas funções dentro da
estrutura do governo, de forma que o exercício regular e profissional dessas
atividades por pessoas integradas num aparato organizacional dotado de
eficiência e estabilidade deu origem à denominada burocracia.
Celso
Ribeiro Bastos à denomina de: “o conjunto de funcionários especializados
que de forma hierarquizada prestam as funções de administrar a organização sob
o comando superior de um agente político, ou mesmo de um diretor que é
responsável pelas decisões fundamentais da entidade.”
Fernando C, Prestes Motta,
in O que é burocracia, 3.ª ed. Brasiliense (Coleção Primeiros Passos) p. 7: “De
modo amplo podemos dizer que burocracia é uma estrutura social na qual a
direção das atividades coletivas fica a cargo de um aparelho impessoal
hierarquicamente organizado que deve agir segundo critérios impessoais e
métodos racionais. Esse aparelho dirigente, isto é, esse conjunto de
burocratas, é economicamente privilegiado e seus membros são recrutados de
acordo com regras que o próprio grupo adota e aplica.”
Ela surgiu como um
instrumento neutro para aplicação de soluções técnicas aos problemas com
especialidade, racionalidade, previsibilidade e imparcialidade.
Pela
previsibilidade cada agente burocrático cumprindo as normas de sua conduta
possibilita ao administrado antever a conduta do servidor fazendo desaparecer
as brechas para o capricho, ou humores do favoritismo ou para perseguição dando
lugar à imparcialidade.
Sobretudo
as máquinas burocráticas ligadas ao executivo estão sujeitas às pressões de toda
ordem advindas inclusive de interesses que se organizam grupalmente com o fim
específico de exercer influência sobre o governo que são os grupos de pressão
ou lobbies.
A
busca de promoção na carreira e interesses de grupos e partidos políticos com
apadrinhamento fora do aparato estatal, muitas vezes compromete a lealdade do
burocrata e a respectiva imparcialidade.
O
segredo e a discrição caracterizam as operações militares, diplomáticas e de
segurança, fazendo prevalecer o princípio
da confiabilidade. O abuso consiste em utilizar o segredo para aumentar
o poder.
A
burocracia está a serviço de uma chefia política e a ela é dada a decisão
técnica.
Tirando
proveito da permanência, antigüidade e conhecimento técnico, o burocrata
inverte a situação e passa a influenciar decisivamente na vontade política
alterando os ideais dos políticos que desconhecem o meandros da estrutura
burocrática com as rotinas,
repartições e a separação
técnica que divide o seu próprio departamento, prevalecendo o método de supervalorização
da tarefa em si mesma.
Os
líderes tem de enfrentar a burocracia reaproveitando-a como fizeram Hitler e
Lenin, na referência de Zippellius e Max Weber.
Já a tecnoburocracia ocorre
quando se entende que inflação,
desenvolvimento, segurança, ensino e outros problemas do Estado poder ser
resolvidos a partir de soluções exclusivamente técnicas sendo essa tendência
avassaladora nos regimes autoritários e vivemos um exemplo flagrante no Brasil
a partir de 1964.
As
qualidades da burocracia como racionalidade, eficiência, hierarquia,
disciplina, imparcialidade e conhecimento técnico levaram à exacerbação do
ideal burocrático numa verdadeira ideologia pretendendo deslocar o pensamento
até do Capitalismo e Marxismo para si, com suas soluções técnicas para tudo.
Sobrepuseram
o bem estar, desenvolvimento material e comodidade, querendo eliminar as razões
fundamentais da existência humana como amor, a religião e a honra. O médico da
família foi trocado por imensos hospitais dos serviços sociais do Estado onde o
cidadão vai passando de mão em mão sem sequer saber o nome daquele sob cuja
responsabilidade se encontra o que impede até a insurgência do particular
contra o órgão público, pois se ele reclama num guichê é encaminhado a outro onde um burocrata
também o vai atender, embora hierarquicamente superior. Daí os famosos
“embargos de gaveta”, o corriqueiro despacho: “volte amanhã”, depois de maçante
“chá de cadeira”, na espera do chefe sempre “em reunião”.
Tais
aspectos desestimulam o controle da atividade do Estado gerando o fatalismo, a
impotência e o descrédito por parte dos administrados.
A
burocracia muitas vezes passa a defender objetivos próprios relegando aqueles
pelos quais foi criada e pretende sobreviver após cumpridas as finalidades que
a justificavam
É
sem dúvida uma realidade inseparável do Estado moderno e no futuro necessitamos
de instrumentos adequados que resguardem os indivíduos contra a força dos
organismos burocráticos e sua proliferação descontrolada, sendo o advogado um
descomplicador nato desse jogo muitas vezes pernicioso e que lesa direitos do
semelhante transforma-se numa esperança
de tornar-se ele no artífice da melhor técnica de atuação do poder público no
porvir.